A presença de MC Taya e Bayside Kings no Rock in Rio vai muito além de simplesmente integrar a programação de um festival gigante. Para quem vive o hardcore, o punk e o underground brasileiro, ver artistas como eles ocupando esse espaço representa uma conquista coletiva de toda uma cena que sempre existiu na resistência.
O underground nacional nunca precisou de validação para sobreviver. Ele cresceu em shows pequenos, festivais independentes, pistas de skate, centros culturais e espaços improvisados. Foi construído por bandas e público que mantiveram essa cultura viva mesmo longe da grande indústria. Por isso, quando artistas verdadeiramente ligados a essa vivência chegam a um palco desse tamanho, existe um sentimento diferente. Não é apenas sobre visibilidade. É sobre pertencimento.
Ao longo dos anos, nomes como NX Zero, CPM 22, Ratos de Porão e Dead Fish já passaram pelo festival e ajudaram a criar pontes entre o mainstream e a cena alternativa brasileira. Muitas dessas bandas sempre circularam entre os dois mundos, alcançando rádios, grandes festivais e um público muito maior sem abandonar completamente suas origens.
O próprio CPM 22 chegou ao Palco Mundo enquanto vivia uma enorme popularidade nacional, ocupando espaços gigantes sem perder totalmente sua ligação com o hardcore melódico e o punk. O Dead Fish, mesmo mantendo uma postura muito mais política e conectada ao underground, também se tornou uma banda de proporções enormes dentro da música alternativa brasileira.
Mas o que torna a presença de MC Taya e Bayside Kings tão importante é justamente o fato de que eles representam um underground ainda mais cru e conectado diretamente à vivência da cena.
Bayside Kings

O Bayside Kings carrega tudo aquilo que faz o hardcore brasileiro ser tão importante: intensidade, resistência, espírito coletivo e uma energia impossível de fabricar. É uma banda que construiu seu nome vivendo a cena de verdade, longe de tendências comerciais e perto das pessoas que mantêm o underground vivo diariamente.
Mc Taya

Já MC Taya representa uma nova ruptura dentro da música alternativa nacional. Sua mistura entre nu metal, funk, trap e rap desafia antigas barreiras culturais que durante muito tempo limitaram o que podia ou não ocupar espaços dentro desse universo. Sua presença mostra que o peso também vem da periferia, da cultura urbana e de novas vozes que por anos ficaram de fora desses ambientes.
E talvez seja exatamente isso que torne esse momento tão importante para a nossa comunidade. Não se trata apenas de artistas underground tocando em um grande festival. Trata-se do underground brasileiro aparecendo sem precisar suavizar sua identidade, sem precisar parecer mais “aceitável” ou mais próxima do mainstream para ocupar espaço.
Para muita gente da cena hardcore, punk e alternativa, ver MC Taya e Bayside Kings ali significa enxergar anos de resistência finalmente sendo representados em um palco que durante muito tempo parecia distante da nossa realidade.
MC Taya se apresenta no Rock in Rio no dia 5 de setembro, enquanto o Bayside Kings sobe ao palco no dia 6 de setembro.
